A abertura dos trabalhos da Assembleia que contou com a participação dos superiores maiores, delegados e convidados vindos de várias congregações religiosas do país, foi marcada por uma Missa solene, presidida por Dom João Carlos H. Nunes, Arcebispo de Maputo. No final da celebração eucarística, o Pe. José Joaquim, Presidente da CIRMO, proferiu o discurso oficial de abertura da Assembleia, num momento descrito como de “profunda alegria e sincera gratidão”. O Presidente da CIRMO focalizou a sua atenção aos seguintes aspectos:

Um caminho de escuta e discernimento

No seu discurso, o Presidente da CIRMO sublinhou que os últimos meses foram marcados por um processo de escuta, discernimento e reflexão comunitária, no qual as congregações analisaram a realidade do país — marcada por pobreza, deslocamentos, fragilidades familiares e crises sociais — mas também sinais de esperança, como a dedicação aos mais vulneráveis, a criatividade missionária e o surgimento de novas vocações.

A realidade não é apenas o contexto onde fazemos a missão: a realidade é lugar de discernimento, onde Deus nos fala através das dores e esperanças do Seu povo”, afirmou o Pe. José Joaquim, recordando que a Vida Consagrada deve ser entendida, antes de tudo, como “um dom recebido e um dom oferecido”.

Comunhão, fidelidade criativa e missão

Pe. Joaquim identificou a comunhão entre as diferentes congregações como uma das maiores riquezas — e também um dos maiores desafios — da Vida Consagrada em Moçambique, apelando a “gestos concretos” que transformem esse potencial em colaboração efetiva. O Presidente da CIRMO defendeu ainda uma “fidelidade criativa”, capaz de manter as congregações firmes no essencial do carisma, mas abertas a novas formas de presença e missão que respondam às realidades emergentes do país. Nas suas palavras, a Vida Consagrada é chamada a ser, sobretudo em tempos de mudança, “sinal de esperança, de proximidade e de futuro” para os pobres, os jovens, os deslocados e todos os que vivem nas periferias humanas e espirituais.

Perguntas para orientar a Assembleia

O discurso de abertura deixou às congregações participantes um conjunto de perguntas que deverão orientar o discernimento ao longo dos próximos dias: que sinais dos tempos é preciso reconhecer, que formas de missão precisam de ser renovadas, que novas fronteiras o Espírito está a pedir e que gestos concretos de comunhão podem ser assumidos entre as diferentes Congregações.

Segundo o Pe. José Joaquim, o percurso da Assembleia deve seguir um itinerário claro — da escuta à compreensão, desta ao discernimento, do discernimento à decisão, da decisão ao compromisso e, finalmente, do compromisso à missão — de forma a que cada passo dado nestes dias tenha um sentido concreto para a vida das comunidades religiosas em Moçambique.

Ao declarar aberta a XXXVII Assembleia Geral Ordinária da CIRMO, Padre Joaquim pediu ao Senhor “a coragem de escutar, a humildade de discernir e a sabedoria de decidir”, invocando a intercessão de Maria, Mãe da Igreja, e dos santos fundadores e fundadoras das diversas congregações representadas. “A CIRMO está viva, sustentada pela força dos carismas e pela dedicação das comunidades (…). A CIRMO tem futuro, porque Deus continua a chamar, a inspirar e a enviar”, concluiu, reafirmando o compromisso da Vida Consagrada moçambicana com o Evangelho e com os sinais dos tempos.

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