Formação Permanente dos Superiores Maiores e Locais de Moçambique Sul chega ao fim com apelo à misericórdia no exercício da autoridade. Segundo Pe. José. Joaquim, presidente da CIRMO, “o verdadeiro exercício da autoridade exige a conversão do impulso de punir na disposição de restaurar“.
Moçambique, 9 de julho de 2026 — Encerra-se hoje, dia 9 de julho, a Formação Permanente destinada aos Superiores Maiores e Superiores Locais da Região Sul de Moçambique, um encontro que reuniu responsáveis de diversas congregações e institutos religiosos para um momento de reflexão, partilha e renovação espiritual em torno do exercício da autoridade na vida religiosa.
O encontro teve início com a celebração da Santa Missa, presidida pelo Pe. José Joaquim, Presidente da CIRMO Nacional (Conferência dos Institutos Religiosos de Moçambique), que na homilia convidou os participantes a uma profunda meditação sobre o Livro do Profeta Oseias, propondo duas imagens bíblicas como chave de leitura para o serviço da autoridade.
“Cuidar, curar”: a autoridade como caminho de restauração
Partindo da expressão “cuidar, curar”, o Pe. José Joaquim sublinhou que o verdadeiro exercício da autoridade exige a conversão do impulso de punir na disposição de restaurar. Segundo o celebrante, as crises que surgem no seio de uma comunidade religiosa não devem ser encaradas como motivo de castigo, mas como ocasião de cura.






Nesta linha, o presidente da CIRMO Nacional insistiu que a misericórdia deve ser o critério que orienta o governo das comunidades, defendendo a necessidade de preservar a imagem de uma irmã ou irmão mesmo quando esta possa comprometer o bom nome da comunidade — ainda que isso implique críticas à própria autoridade. O superior, disse, não deve procurar proteger a sua própria imagem apenas para permanecer “limpo” aos olhos dos outros; o cuidado com a pessoa deve prevalecer sobre a preocupação com a reputação.
“Sacudir a poeira dos pés”: a limpeza necessária no exercício da autoridade
A segunda imagem bíblica desenvolvida na homilia foi a expressão evangélica “sacudir a poeira dos vossos pés”. Segundo o Pe. José Joaquim, os superiores precisam de aprender a libertar-se do “pó” que, ao longo do exercício da autoridade, se vai acumulando e pesando sobre o seu discernimento e a sua ação.
Recorrendo a uma imagem do quotidiano, o celebrante comparou este processo à limpeza que se faz nos computadores para que funcionem com mais leveza e melhor desempenho: também os superiores precisam de fazer, periodicamente, essa “limpeza interior”, pois o acúmulo de lodo e de poeira — feito de mágoas, ressentimentos ou peso acumulado — não ajuda a exercer bem a autoridade.
Um tempo de renovação para a vida religiosa no Sul de Moçambique
Com a celebração eucarística como ponto de partida, a Formação Permanente proporcionou aos Superiores Maiores e Locais presentes um espaço de reflexão sobre os desafios do serviço da autoridade na vida consagrada, à luz da Palavra de Deus e da tradição espiritual da Igreja. O encontro encerra hoje, deixando aos participantes um convite claro: exercer a autoridade com misericórdia, cuidado e a disponibilidade constante para se renovarem interiormente ao serviço das suas comunidades.

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